33 MULHERES NEGRAS QUE CONSTRUÍRAM A HISTÓRIA DO BRASIL

20 de novembro é Dia da Consciência Negra. Por isso, resolvi dedicar os posts do mês a negros e negras ilustres, intelectuais ou personagens históricos. Especialmente, às mulheres. Mesmo com o Google, não foi fácil fazer esse levantamento.

Na cidade do Rio de Janeiro, existe (ou existia) o Museu do Negro. Ainda não tive a oportunidade de visita-lo e as informações no site não estão atualizadas. Também existe o Museu Afro Brasil, em São Paulo, no Parque do Ibirapuera. Tive a oportunidade de visita-lo uma vez e lá se encontra a imagem de Santa Ifigênia (também negra), feita no estilo barroco mineiro. Além disso, há o Museu do Negro de Campinas, interior de São Paulo, que também ainda não visitei.

Uma vez, estava em um museu em Vassouras (Rio de Janeiro) e o jardineiro do museu me disse que, oficialmente, só existem três heróis negros, reconhecidos oficialmente na História do Brasil. Zumbi dos Palmares (cuja morte ocorreu em 20 de novembro de 1695, por isso, o Dia da Consciência Negra é celebrado nessa data) e dois outros nomes que eu não anotei na hora.

Aí hoje fui procurar no Google hoje. Levei quase uma hora para recuperar os nomes dos outros dois líderes negros, heróis nacionais, Manuel Congo (morto em 1838) e Marianna Crioula. Não tem verbete na Wikipédia para ela. Marianna Crioula e Manuel Congo não eram casados, possivelmente, eles nunca nem tiveram um relacionamento afetivo, mas lutaram juntos na resistência contra a escravidão. Manuel Congo é pouco lembrado e Marianna Crioula está quase completamente esquecida.

Aí... tentei fazer uma lista de mulheres negras, baseada em blogs e na minha experiência:

1.                 Dandara dos Palmares (morta em 1694)
Era esposa de Zumbi dos Palmares e sua companheira de lutas. Tudo indica que ela pulou do abismo para não retornar à condição de escrava.

2.                 Luiza Mahín (século XIX)
Trazida da África, de modo escravizado, Luiza se tornou líder de diversas revoltas, entre elas, a Revolta dos Malês (1835) e a Sabinada (1838 – 1838).

3.                 Tereza de Benguela (século XVIII)
Líder quilombola do estado de Mato Grosso.

4.                 Aqualtune (século XVII)
Seria mãe de Zumbi dos Palmares e sua conselheira política e estratégica.

5.                 Zeferina (século XIX)
Líder do quilombo de Urubu, na Bahia.

6.                 Maria Felipa de Oliveira (morreu em 1873)
Era uma trabalhadora braçal, que ajudou a libertar muitos escravos e participou das lutas de independência do Brasil, junto com Maria Quitéria (que eu não posso afirmar que fosse negra, mas não ficaria surpresa se fosse).

Maria Felipa de Oliveira (provável fotografia dela), heroína da Independência do Brasil.

7.                 Acotirene (século XVII)
Líder do Quilombo de Palmares.

8.                 Adelina Charuteira (século XIX)
Escravizada e abolicionista brasileira do Maranhão.

9.                 Tereza de Quaritetê ou Tereza de Benguela (século XVIII)
Líder do quilombo de Quaritetê em Mato Grosso.

10.            Esperança García (século XVIII)
Escravizada que denunciou maus-tratos e lutou pelos seus direitos no Piauí.

11.            Maria Firmina dos Reis (1825 -1917)
Professora e primeira romancista brasileira. Alguém já teve que ler um livro dela na escola?

12.            Eva Maria de Bonsucesso (século XIX)
Ganhou uma causa na justiça contra um homem branco, que lhe batera.

13.             Carolina Maria de Jesus (1914 -1977)
Escritora mundialmente reconhecida.

Carolina Maria de Jesus, escritora brasileira mundialmente reconhecida.

14.            Mãe Meninha do Gantois (1894 – 1986)
Mãe de santo. Símbolo da tolerância religiosa.

15.            Antonieta de Barros (1901 -1952)
Jornalista, professora e política brasileira. Primeira mulher negra a assumir um mandato.

16.            Chica da Silva (século XVIII)
Escravizada que comprou sua própria alforria e veio a se tornar uma das mulheres mais ricas e influentes de sua sociedade.

17.            Laudelina de Campos Melo (1904 – 1991)
Defensora dos direitos das mulheres e das empregadas domésticas.

18.            Ruth de Souza (1921 – viva)
Primeira atriz negra do teatro, rádio e televisão.

Ruth de Souza, primeira atriz negra da televisão brasileira.

19.            Sueli Carneiro (1950 – viva)
Filósofa, escritora e ativista antirracismo.

20.            Clementina de Jesus (1901 – 1987)
Cantora brasileira de samba.

21.            Lélia Gonzalez (1935 – 1994)
Intelectual, política, professora e antropóloga.

22.            Felipa Maria Aranha (século XVIII)
Líder do Quilombo de Mola no Tocantins.

23.            Na Agontimé (século XVIII)
Seria uma nobre do Benin, que escravizada, trouxe o culto ancestral dos africanos para o Maranhão.

24.            Tia Simoa (século XIX)
Líder abolicionista do Ceará.

25.            Zacimba Gamba (século XVII)
Seria uma nobre escravizada, originária de Angola. Liderou revoltas e resistência em quilombo do Espírito Santo.

26.            Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935)
Filha de uma mulher escravizada e um homem branco e rico, teve uma educação aristocrática. Foi a primeira mulher a reger uma orquestra e compôs o samba “Ó Abre Alas”.

27.            Conceição Evaristo (1946 – viva)
Escritora, intelectual, professora universitária.

28.            Elza Soares (1930 – viva)
Cantora e compositora brasileira.

29.            Nzinga de Angola (século XVI)
Rainha Ginga ou Ana de Souza. Foi uma rainha africana que lutou contra os portugueses para deter a escravização de seu povo. Após sua morte, 7000 soldados seus foram escravizados e trazidos ao Brasil.

Filme angolano sobre a rainha Ginga (2014).

30.            Tia Ciata (1854 – 1924)
Cozinheira e mãe de santo brasileira. Reconhecida como uma das figuras mais influentes para o surgimento do samba.

31.            Djamila Ribeiro (1980 – viva)
Filósofa feminista e acadêmica.

32.            Rosa Egipcíaca (1779 – 1778)
Autora do mais antigo livro escrito por uma mulher negra no Brasil, Sagrada Teologia do Amor Divino das Almas Peregrinas. Ela era uma nobre africana, escravizada, obrigada a se prostituir no Brasil, que teve uma revelação divina e morreu sob circunstâncias estranhas. Fizeram um filme sobre sua vida e já escreveram duas biografias sobre Rosa Egipcíaca também.

Biografias sobre a Rosa Egipcíaca, uma santa africana no Brasil.

Ixi... Como Marianna Crioula não está na lista, na verdade, falei de 33 mulheres negras relevantes para a História do Brasil, que foram praticamente esquecidas. Sem contar personagens que, devido à falta de registros históricos, entraram para a mitologia, como a escrava Anastácia. E outras mais polêmicas, devido à morte recente, como Marielle Franco.

Por favor, se alguém souber de mais alguém que deveria estar na lista, por favor, deixe nos comentários. Desde já, agradeço.

Quantas dessas mulheres você já conhecia?

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