ALEMANHA - AACHEN - PARTE III

Bom dia, pessoal. Ontem eu não estava muito bem, comecei a escrever um texto sobre teatro alemão, mas não postei, porque não gostei do resultado. Já fiz a minha lição de casa de alemão, agora estou escrevendo esta segunda postagem.
SOBRE O CURSO
O curso tem duração de seis semanas. As primeiras quatro semanas foram aqui em Aachen. Eu digo foram, porque nesta quinta-feira vamos mudar para Berlin. Estou na Turma A. Então todos os dias tenho aula das 13h30 às 17h30 aqui em Aachen. Quando formos para Berlin, as minhas aulas passarão a ser das 8h30 às 12h30. A gente está usando o livro Sicher, no caso da minha turma, no nível B2 com 12 lições. Quando eu era estudante de Graduação, era meu sonho fazer esse curso. Mas, a Graduação foi muito difícil para mim por vários motivos pessoais e financeiros, então, não tive condições de fazer. Estou fazendo agora. Mas continuo acreditando que isso é ideal para pessoas mais jovens. É muito recomendável que todos os estudantes universitários tenham uma oportunidade de ter uma vivência no exterior.


Livro texto do curso na Alemanha.

Aqui em Aachen, temos duas professoras que se revezam para dar aulas. A Cristina, que é romena, mas de língua alemã, assim como a Nobel Herta Müller, e a Charlotte, uma estudante de Letras alemã. Todos os dias têm lição de casa com até 10 exercícios. Além disso, a gente tem que atender atividades como peças de teatro (assistir e fazer), filmes, visitas guiadas a locais históricos e museus. Mas, organizando bem, dá tempo de fazer outras atividades.


Prédio da Aachen Spraachakademia, onde as aulas acontecem.

O FIM DE SEMANA
Este fim de semana, fiquei em Aachen e a maior parte do grupo fez uma viagem para Paris. Terminei de ler um livro infanto-juvenil em alemão TKKG – Das Paket mit dem Totenkopf. Minha primeira leitura de 2019. Mas isso já é assunto para outro post. Também fui ao Museu da Imprensa e ao termas.
TATORT: UM DOS PROGRAMAS DE TV FAVORITO DOS ALEMÃES
No domingo à noite fui a um bar assistir a um programa chamado TatOrt. Esse é um programa ficcional de crimes. Ele existe a mais de 40 anos na Alemanha e passa todos os domingos às 20h15. Existem várias equipes de filmagem em diferentes cidades da Alemanha. Cada domingo, a estória é produzida por uma equipe de atores. Os alemães se reúnem em bares para assistir essa estória de investigação e no meio do programa, os donos do bar passam um papelzinho para você dizer quem você acha que é o assassino. O(A) cliente que acertar ganha um brinde. O meu chute não passou nem perto. Mas foi uma experiência divertida. Quando eu estava estudando alemão no Brasil, eu desejei ter essa experiência aqui na Alemanha e agora ela se realizou. Muito obrigada. 
A entrada do programa é muito old school, mas as estórias são atuais. Lembra um pouco a entrada dos primeiros filmes do Batman.



BRUMADINHO TAMBÉM FOI NOTÍCIA POR AQUI
Ainda vou fazer um post sobre televisão e cinema alemães...Mas antes disso, tenho que comentar que cheguei no bar uma meia hora antes do programa começar. Ainda estava passando o noticiário. E a notícia era o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais. Não gosto de escrever sobre algo que eu não posso fazer nada a respeito. Mas, se eu não escrever, dá a impressão que estou alienada sobre os fatos. É um desastre lamentável. Minha total solidariedade às vítimas. Vamos nos manter atentos(as) e cobrar para que, dessa vez, as vítimas sejam indenizadas pela empresa de forma justa e eficiente. Este desastre, mais uma vez, provavelmente afetará mais a imagem do que as finanças da mineradora (leia mais aqui).
IR AO TEATRO NA ALEMANHA
Agora vou reaproveitar um pouco do texto que escrevi ontem sobre teatro...Aachen tem, pelo menos, dois teatros. O pessoal do curso nos levou para assistir a prova (antes da estreia) de uma peça irônica e contemporâneo sobre um Supergutmann (termo alemão para algo como cidadão de bem e é um termo sarcástico). Falaram o nome do dramaturgo que escreveu a peça, mas eu não me lembro (Lukas Linder, acabei de achar no Google). O teatro tinha aquele conceito moderno do público na altura do palco, quase dentro da peça.
Além disso, tivemos que encenar uma pequena peça. O meu grupo ficou com a peça Feierabend do comediante alemão Loriot (1923-2011). A peça é super curta e você pode assisti-la com legenda em espanhol no Youtube.


Ontem fui no teatro principal de Aachen. Eles têm uma promoção para estudantes. A gente pode comprar 5 ingressos por 20 Euros. Normalmente um ingresso na primeira fila custa 50 Euros. Como eu comprei esse ingresso da promoção (e dividi com colegas chilenos), achei que eu iria sentar em um lugar ruim, longe do palco. Muito pelo contrário. Eles me deram um ingresso no centro da primeira fileira, bem de frente para o palco.


Teatro de Aachen, com Am Königweg (à esquerda) e Roméo et Juliette (à direita) em cartaz.

A peça era Am Königweg (No caminho do rei, tradução livre) da Nobel austríaca Elfriede Jelinek. A peça foi interessante. Mas o que me fez refletir é que ambos os teatros de Aachen têm pelo menos 6 sessões com diferentes peças, na sexta, no sábado e no domingo. Isso ocupa muitos atores, diretores, figurinistas, produtores. Movimenta muito dinheiro e possibilita que sejam realizadas peças de alta qualidade.
Por exemplo, Aachen é só um pouco maior do que São Carlos, a cidade onde moro no Brasil. São Carlos tem um teatro, que quase nunca tem peças em cartaz, e o teatro do Sesc, que encena uma peça por mês. Qual foi a última vez que você foi ao teatro?
Acho que eu tenho uma história com o teatro alemão. A melhor peça que eu já vi na vida foi escrita por um dramaturgo alemão e executada pelos formandos em teatro da Fundação das Artes de São Caetano do Sul (São Paulo). Chamava-se A Ascenção e a Queda da Cidade de Mahagonny e foi escrita por Bertrold Brecht (1898-1956). Em compensação, a pior peça que já vi na vida foi escrita por um dramaturgo norueguês (Ibsen) e executada por uma trupe de teatro alemão muito famosa. Eles mudaram o final da peça e, na minha opinião, deturparam totalmente o significado. Foi em uma época que eu tinha acabado de ler as peças de Ibsen, então fiquei “magoada” com o final.



A peça de sábado foi razoável. Nem muito boa nem muito ruim. Mas eu fiquei pensando que todas aquelas pessoas envolvidas com a peça (atores, diretor, iluminador, sonoplasta, etc.) conseguem dar uma boa vida para suas famílias e ter uma vida digna. Coisa que eles não conseguiriam no Brasil de jeito nenhum. Isso é lamentável. Fazer teatro no Brasil é tão difícil, que só sobrevivem os atores excelentes. E, admitamos, a maioria das pessoas é medíocre no que faz. Os gênios são muito raros. Toda vez que a gente destrói a possibilidade de uma pessoa medíocre ter uma vida digna, a gente destrói uma sociedade.
Bom, pessoal, por hoje é isso. O post da semana que vem provavelmente sairá na segunda-feira também, porque preciso fazer uma viagem muito longa e vou voltar tarde no domingo. Agora vou começar a ler um romance da Elfriede Jelinek (Die Liebhaberinnen). Depois de ler uma romance e assistir uma peça, espero poder formar uma opinião e compartilhá-la com vocês sobre essa Nobel austríaca. Lembrem-se que ela já tem dois livros traduzidos para o português (Desejo e A Pianista). Então, quem não fala alemão, pode ler também.
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BOA SEMANA!

BOAS LEITURAS!

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