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O QUE FAZER QUANDO UM AMIGO TE RECOMENDA UM LIVRO RACISTA? - CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIA DO ÍNDIO

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20 de abril de 2019. Estou escrevendo no Sábado de Aleluia, porque amanhã é Domingo de Páscoa e acho que não vou ter tempo para escrever ou que o clima da data é diferente do que eu quero escrever sobre. Eu tinha a intenção de escrever, como em anos anteriores, sobre o Dia do Índio (19 de abril) e os indígenas na literatura (relembre o vídeo clicando aqui). Em inglês, a gente, preferencialmente, se refere aos indígenas como Native Americans (nativos americanos). Essa é considerada a forma menos ofensiva naquele idioma e vou adotá-la também em português neste texto.
O QUE EU APRENDI DE NOVO DESDE DE 19 DE ABRIL DE 2018 Do vídeo do ano passado para este ano, aprendi três referências novas sobre o tema: Primeiro também existem reservas para nativos americanos e parece que eu posso pedir para visita-las quando eu estiver lá e conversar com os locais. Espero que eu consiga fazer isso quando estiver no Canadá. O país tem uma História que eles consideram “negra” de exploração do trabalho indíg…

UMA ESCRITORA QUE GANHOU O NOBEL E A MERCEDES-BENZ

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15 de abril de 2019. Desculpem-me pela demora em escrever. Ontem eu terminei de ler Die Liebhaberinnen da escritora austríaca Elfriede Jelinek. Jelinek nasceu na pequena cidade austríaca Mürzzuschlag em 1946. Segundo a Wikipédia, essa aldeia tinha, em 2016, 8.684 habitantes. Elfriede Jelinek ainda é viva, ela tem 72 anos e continua trabalhando. Ela foi educada em Viena (capital da Áustria), onde vive até hoje.

A mãe de Jelinek era de uma próspera família alemã-romena, de religião católica. Entre as escritoras de língua alemã, que ganharam o Nobel, também temos Herta Müller, que é romena. O pai de Jelinek era tcheco e adotava a religião judaica. O sobrenome “Jelinek”, significa “cervo pequeno” em tcheco.

Eu comentei com um alemão que estava lendo este livro. Ele não conhecia a Elfriede Jelinek (apesar de ela ter ganhado o Nobel de Literatura em 2004) e reagiu de forma “preconceituosa”, dizendo que: “esse sobrenome não parece alemão, mas de alguém que veio do Leste Europeu”, como se vir d…

VIDA DE DOUTORANDA NO BRASIL... PRA COMEÇO DE CONVERSA, EU NÃO ESTUDO. EU TRABALHO COM PESQUISA

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7 de abril de 2019. Pelo planejamento (relembre aqui), eu deveria ter terminado o livro Die Liebhaberinnen. Estou na página 176. O livro tem 205. Tá acabando, mas ainda não acabou. E o motivo é que eu não li todos os dias mesmo. Alguns dias li outro livro em português para compensar. Outros não li nada mesmo e fiquei abaixo da meta. Para quem não sabe o que eu faço da vida, além de viajar pelo mundo e ler muitos livros (tem gente que acha que é mesmo só isso, risos!). Atualmente, estou inscrita no programa de doutorado em Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), pertencente à Universidade de São Paulo (USP). O programa de doutorado tem duração prevista quatro anos (em tempo regulamentar), nos quais a gente desenvolve um projeto de pesquisa.


VOCÊ RECEBE PARA ESTUDAR?

Primeiramente, quem faz doutorado não apenas estuda. A gente trabalha com pesquisa e ajuda a resolver os problemas da vida diária. Na Medicina, isso é mais visível. Foi graças ao trabalho dos alu…

DE 1964 A UMA DECLARAÇÃO DE AMOR, PASSANDO POR ÉRICO VERÍSSIMO

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31 de março de 2019. Aniversário de 55 anos do Golpe Militar no Brasil. O atual presidente pediu que houvessem comemorações na data de hoje. Honestamente não sei se elas aconteceram ou não, porque não estou acompanhando. Fui trabalhar hoje porque estou com alguns compromissos atrasados. Repudio e acho vergonhoso que o verbo “comemorar” seja usado para um fato assim. Mas acredito que devemos, sim, sempre “lembrar” do que houve. Estudar, escutar todos os lados e discutir com imparcialidade e maturidade todos os fatos históricos. E, por falar em compromissos atrasados, pelo menos, dos livros que eu me comprometi a ler aqui com vocês, já li Um Lugar ao Solde Érico Veríssimo. É interessante que eu criei uma lista de leitura que, naquela época, fazia sentido, mas já não está fazendo mais, porque a minha vida está mudando muito depressa. Isso também acontece com vocês? O que vocês fazem quando isso acontece? Separei algumas passagens de Um Lugar ao Sol que eu queria compartilhar com vocês. SAB…

MARIA FIRMINA E A DENÚNCIA DA ESCRAVIDÃO

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URSULA – PRIMEIRO ROMANCE CONHECIDO ESCRITO POR UMA MULHER BRASILEIRA E O PRIMEIRO LIVRO A CONDENAR A ESCRAVIDÃO Era uma prisioneira...era uma escrava! Meteram-me a mim e mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no estreito e infecto porão de um navio. Trinta dias de cruéis tormentos, e de falta absoluta de tudo quanto é mais necessário a vida passamos nesta sepultura até que abordamos as praias brasileiras. Para caber a “mercadoria humana” no porão fomos amarrados em pé e para que não houvesse receio de revolta, acorrentados como animais ferozes das nossas matas que se levam para recreio dos potentados da Europa. Davam-nos água imunda, podre e dada com mesquinhez, a comida má e ainda mais porca: vimos morrer ao nosso lado muitos companheiros à falta de ar, de alimento e de água. É horrível lembrar que criaturas humanas tratam a seus semelhantes assim e que não lhes doa a consciência de leva-los à sepultura asfixiados e famintos! Muitos não deixavam-se chegar a esse extre…