LENDO MAIS MULHERES, COMECEI A FAZER PONTES ENTRE O FEMINISMO E A ODEBRECHT


Boa noite, pessoal! Desculpa por escrever tão tarde da noite. Hoje um amigo, que admiro muito, me escreveu pelas redes sociais, dizendo que gosta de ler meus textos. Confesso que estava um pouco desanimada, mas, depois de palavras tão amigas, decidi escrever algo, para mantermos o nosso contato. Aliás, como são importantes as palavras dos bons amigos, não é? São elas que nos levam para frente. Muitas vezes, uma boa amiga (ou um bom amigo) desempenha um papel fundamental nas nossas vidas e nos ajuda a crescer. Concordam?

Também pode acontecer de, por algum motivo, uma pessoa não poder contar com amigos tão bons assim. Mas, através da leitura, podemos conversar com pessoas que vivem ou viveram em outros lugares e épocas e que nos enriquecem com novas ideias e experiências. Dessa forma, os livros desempenham também um dos papéis dos bons amigos. Não é verdade?

Em 2020, li 24 livros. Na contagem do Skoob (link aqui), consta que já li 688 livros, quase chegando aos 700. Dos 24 livros lidos em 2020, 12 foram escritos por autores e 12 por autoras. É a primeira vez que consigo ler igual porcentagem de ambos os gêneros.

Desde 2015, aumento conscientemente a leitura de livros escritos por mulheres. Quando eu comecei, um amigo na época sugeriu que deveria escrever algo sobre a minha transformação ao ler mais autoras. Eu achei a ideia dele ridícula. Não acreditava que pudesse haver nenhuma transformação. Comecei a ler mais mulheres por sugestão de um ex que me apontou que eu não lia quase nenhuma autora. Deve ter gente que imagina que eu leio intecionalmente mais mulheres, porque devo ser lésbica (risos!). 


Foto de Seven Shooter, gratuitamente cedida pelo banco de imagens Unsplash

Eu não esperava chegar a lugar algum com isso. Nem sofrer nenhuma transformação. Mas o fato é que cheguei e sofri uma transformação. Principalmente porque li e leio mulheres que escrevem sobre diferentes temas. Muitos delas, referências nas áreas de conhecimento. Hoje eu acho estranho entrar em uma livraria e constatar que a maioria dos autores são homens.

Não sei descrever toda a transformação. Além da livraria, já ouvi casos de eu comparar, por exemplo, as ideias da Hannah Arendt (virei fã dela) com as de Susan Sontag, durante um almoço na universidade, e um colega se surpreender por eu referenciar as ideias de duas mulheres. Causar o mesmo efeito, estando na fila de um show (saudades daquela época que eu aglomerava!) e comentando um trabalho científico sobre o efeito do carisma, feito por uma professora do MIT (Olivia Fox Cabane).

Também posso ter influenciado indiretamente colegas a serem mais felizes ou se livrarem da culpa por suas escolhas, ao comentar a vida de grandes escritoras, que também passaram por muitas tribulações na vida, como a Nobel britânica Doris Lessing e a nossa querida Imortal da Academia Brasileira de Letras (que tem tão poucas mulheres!), Lygia Fagundes Telles. Talvez isso também tenha me libertado também. Com certeza, mudou a minha percepção.

O que mais me surpreende é que também mudou a minha percepção sobre o mundo. Por exemplo, estou fazendo um MBA em Negócios Digitais. Eu me sinto incomodada porque os professores são todos homens e, praticamente, só citam trabalhos de homens. Paralelamente estou fazendo outra especialização online (para comparar as duas e propor um curso melhor à futura universidade que me contratar), oferecida pela Indian Business School (Escola de Negócios da Índia), organizada pela Professora Doutora Deepa Mani. Tecnicamente, o curso da professora é muito superior ao oferecido no Brasil. Eu me surpreendo por ela não ser nem citada. Isso me incomoda hoje, mas, com certeza, seria algo que eu não iria notar alguns anos atrás.



Outro exemplo, estava ouvindo um podcast sobre o lançamento do livro “A Organização: A Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo” da jornalista Malu Gaspar. Ainda não li o livro, mas era um podcast de 55 minutos (link aqui). Ao escutá-lo, de repente, comecei a pensar que o problema dos Odebrecht (avô, filho e neto) é que eles tinham um problema com a feminilidade. Um problema tão grande que afetou a empresa. A corrupção foi só um detalhe. Se eles soubessem lidar melhor com mulheres, eles poderiam ser corruptos e, ainda assim, se safar. Acontece toda hora (é só lembrar daquele frigorífico, por exemplo). Por que, com os Odebrecht, seria diferente?

Ao que parece, o Marcelo Odebrecht não conseguia se relacionar e negociar com a presidente Dilma (na minha opinião, por ela ser mulher). Vou ter que ler o livro para ter certeza, mas, aparentemente, os Odebrecht são ótimos homens de negócios, desde que não tenha uma mulher na mesa de negociação. Até com as filhas, o Marcelo Odebrecht teve problemas.

Estou dizendo que, sim, existem homens, até hoje, que não conseguem negociar poder com mulheres, por elas serem mulheres.  E isso não tem a ver com vida sexual.  Existem homens liberais e homens conservadores que negociam bem com mulheres. Assim como existe o contrário. Só que quando essa inabilidade contribui para a falência de uma corporação, é hora de rever valores. Até as escolas de negócios precisam repensar seus cursos.

Em resumo, acho que foram essas as transformações que consigo notar em mim até agora. Com certeza, existem outras que ainda não consegui notar.

Muito obrigada por chegar até aqui.

Que 2021 seja um ano de concretização de sonhos e mais transformações engrandecedoras para vocês!

MUITAS LEITURAS EM 2021!

P.S. Vocês também podem me acompanhar pelo Facebook e pelo Instagram.

Comentários

  1. Como sempre um texto informativo =)

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  2. Como eu amo acompanhar o seu trabalho! Seus textos fazem o meu dia melhor, e me despertam a vontade de aprender mais!!! Você não tem ideia de como você ajuda seus amigos com o seu blog! Muito obrigada pela sua amizade! <3

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  3. Seu texto é uma contribuição importante para que mais pessoas ampliem suas consciências em relação aos gêneros.

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